No coração do Chifre da África revela-se um patrimônio de uma riqueza extraordinária. Este tesouro é o fruto de vários milênios de civilização.
Esta nação tem a particularidade única de ter preservado sua independência frente à colonização. Suas tradições puderam, assim, se desenvolver de maneira autêntica e contínua.

O território abriga hoje uma população de mais de 130 milhões de habitantes. Eles se distribuem em mais de 80 grupos étnicos distintos.
Esta mosaico de populações cria uma diversidade cultural inigualável no continente. Cada grupo traz suas próprias cores para a identidade nacional.
Entre os costumes fundamentais, o respeito ocupa um lugar primordial. Ele se manifesta, em particular, em relação aos mais velhos.
É tradicional levantar-se de seu assento para uma pessoa mais velha, mesmo que apenas um ano. Esta prática ilustra valores sociais profundamente enraizados.
Mergulhar neste universo é descobrir um mundo onde espiritualidade, arte e tradições sociais se entrelaçam. Um legado fascinante que continua a inspirar o mundo inteiro.
Pontos chave a reter
- A Etiópia possui um patrimônio cultural único, forjado por milênios de história.
- O país é um dos raros que nunca foi colonizado, preservando a autenticidade de seus costumes.
- Com mais de 80 grupos étnicos, a diversidade cultural é excepcional.
- O respeito intergeracional e a hospitalidade são pilares da sociedade.
- Considerado um berço da humanidade, seu legado remonta às origens de nossa espécie.
- As tradições milenares coexistem harmoniosamente com a modernidade.
- A arte, a gastronomia e a espiritualidade formam um tecido social de grande coesão.
Introdução à cultura etíope
Definir este patrimônio é explorar uma mosaico de tradições onde cada povo traz sua nota distintiva. Mais de oitenta grupos étnicos coexistem, criando uma riqueza incomparável.
A organização social deste país repousa sobre princípios ancestrais. O respeito hierárquico, em particular em relação aos mais velhos, é fundamental. A sabedoria adquirida com a idade confere um status especial dentro da comunidade.
Uma hospitalidade lendária é outro pilar. Receber um estrangeiro com generosidade é visto como uma honra e um dever quase sagrado. Este valor atravessa todas as camadas da sociedade.
O desenvolvimento cultural ocorreu de maneira relativamente autônoma. A ausência de colonização permitiu que as práticas locais mantivessem sua autenticidade. Isso explica a profunda originalidade dos costumes observados hoje.
Os etíopes atribuem uma importância capital aos códigos de cortesia. Fórmulas de saudação elaboradas variam de acordo com a idade e o sexo do interlocutor. Usam títulos de respeito como “ato” (senhor) ou “woyzäro” (senhora).
Uma forte dimensão espiritual impregna o cotidiano. Ela influencia as práticas alimentares e as celebrações comunitárias. Compreender esses fundamentos requer apreender um equilíbrio dinâmico entre tradições e modernidade.
As grandes períodos da história etíope
Das civilizações antigas aos impérios medievais, a história etíope é um relato contínuo de grandeza e resiliência. Este relato se estende por quase três milênios.
O primeiro capítulo importante começa com o reino de Aksum. Ele prospera do Ier século antes de nossa era até o Xe século.
Do reino de Aksum ao Império etíope
Este reino representa uma idade de ouro antiga. Ele domina o comércio marítimo no Mar Vermelho.
Uma virada ocorre por volta de 330. O negus Ezana adota o cristianismo como religião oficial. Isso faz do país a segunda nação cristã do mundo.
As dinastias salomônicas e Zagwé
A dinastia zagwé chega ao poder por volta de 1140. Seu soberano mais famoso, Gebre Mesqel Lalibela, ordena a construção de igrejas rupestres. Estes monumentos são hoje classificados pela UNESCO.
Em 1270, Yekouno Amlak institui a dinastia salomônica. Ela perdura até 1974. Esta linhagem se diz descendente do rei Salomão.
O reinado de Amda Syon I (1314-1344) vê uma fase de expansão. O de Zara Yaqob (1436-1468) conhece um desenvolvimento cultural notável. Esses anos formam a idade de ouro do império.
Esta rica história milenar explica o orgulho identitário dos etíopes. Os séculos sucessivos moldaram uma identidade nacional forte.
Diversidade dos povos e das línguas
A riqueza da Etiópia reside em sua extraordinária pluralidade de povos e línguas. Esta nação conta com mais de oitenta grupos étnicos distintos.
Em seu território, fala-se também mais de oitenta línguas diferentes. Esta mosaico constitui uma das características mais notáveis do país.
As principais línguas e seu papel histórico
A amhárico serve como língua de trabalho para o Estado federal. Cerca de 70% dos etíopes a compreendem, seja como língua materna ou segunda.
Outras línguas são muito faladas. Encontramos, em particular, o oromo, o somali, o tigrinya e o afar.
O guèze desempenha um papel histórico fundamental. Esta língua litúrgica veicula a literatura antiga e os textos religiosos há mais de quinze séculos.
A repartição dos grupos étnicos na Etiópia
Os Oromo formam o grupo mais importante. Eles representam cerca de um terço da população total.
Os Amhara constituem o segundo grupo demográfico. Eles exerceram uma influência política e cultural significativa ao longo da história.
Outros povos significativos incluem os Somali, os Tigré e os Sidama. O sistema federal organiza a administração com base nesta repartição geográfica.
Esta mosaico de comunidades é uma fonte de orgulho. Ela forma um patrimônio vivo que o país se esforça para valorizar.
Os costumes enraizados na cultura etíope
Os costumes sociais na Etiópia constituem uma rede complexa de gestos e palavras que guiam cada interação. Eles repousam sobre uma base sólida de valores transmitidos por gerações.
O respeito pelos mais velhos é um pilar fundamental. É comum levantar-se imediatamente na presença de uma pessoa mais velha, mesmo que apenas um ano.
A hospitalidade é lendária neste país. A cerimônia do café é um perfeito exemplo. Este ritual pode durar várias horas e simboliza a honra feita a um convidado.
Os códigos de cortesia são muito desenvolvidos. Fórmulas de saudação específicas são usadas de acordo com a idade e o status do interlocutor.
A utilização de títulos honoríficos como “Ato” ou “Woyzäro” é sistemática. Isso demonstra o respeito dedicado a cada um.
A gestualidade também obedece a regras precisas. A tabela a seguir ilustra alguns comportamentos comuns e seu significado social.
| Gestualidade | Significado social | Contexto |
|---|---|---|
| Levantar-se na chegada de uma pessoa idosa | Respeito e deferência | Interações cotidianas |
| Evitar apontar com o dedo | Cortesia e discrição | Todas as situações |
| Não cruzar as pernas na frente de um mais velho | Atitude formal e respeitosa | Encontros formais |
| Servir o café com a mão direita | Hospitalidade e honra | Cerimônia do café |
As tradições vestimentares variam segundo as regiões. O uso do shemma, um tecido de algodão branco, é comum em ocasiões formais.
Esses costumes enraizados criam um ambiente social harmonioso. Cada um conhece seu lugar e seus deveres em relação à comunidade neste país.
Práticas religiosas e espirituais na Etiópia
O panorama religioso etíope apresenta uma diversidade notável, onde várias confissões coexistem há séculos. A fé estrutura o calendário, a alimentação e a organização social do país.
A influência da Igreja ortodoxa e das outras confissões
A Igreja ortodoxa etíope é uma instituição antiga, fundada no século IV. Ela segue a doutrina monofisita e utiliza o guèze em suas liturgias.
Os fiéis observam cerca de 180 dias de jejum por ano. Esta prática alimentar rigorosa reforça a disciplina espiritual.
O islamismo sunita, frequentemente tingido de sufismo, reúne mais de um terço da população. O catolicismo, introduzido pelos jesuítas, representa uma pequena minoria.
Rituais e símbolos religiosos tradicionais
Os rituais se distinguem por uma rica simbologia. Encontramos cruzes processionais complexas e vestimentas litúrgicas coloridas.
As igrejas rupestres de Lalibela são locais de peregrinação importantes. Seus cantos hipnóticos em guèze criam uma atmosfera única.
| Confissão | Porcentagem estimada | Característica principal |
|---|---|---|
| Ortodoxa etíope | ~43% | Igreja pré-calcedoniana, jejuns rigorosos |
| Protestantismo | ~18% | Crescimento recente, diversas denominações |
| Islam | ~34% | Tradição sunita com influência sufi |
| Catolicismo | Presença histórica desde o século XVI | |
| Outros (tradicionais, etc.) | ~3-5% | Diversidade de crenças ancestrais |
Esta pluralidade testemunha uma tolerância relativa no país.
Símbolos e emblemas nacionais
Bandeira, hino, emblemas: cada elemento carrega o peso de uma identidade milenar. Esses símbolos unem um país com muitas etnias em torno de um orgulho comum.
A bandeira atual, adotada em 1996, ostenta as cores verde-amarelo-vermelho. Essas tonalidades, escolhidas no século XIX, inspiraram muitos estandartes panafricanos após as independências.
O hino nacional, “Marche vers l’avant, chère Mère Éthiopie”, data de 1992. Ele celebra a unidade e convoca a construir um futuro comum.
O leão de Judá encarna a antiga dinastia salomônica. A cruz etíope com padrões entrelaçados é um símbolo religioso onipresente.
A flor nacional, o Zantedeschia, representa a beleza dos altos planaltos. Esses emblemas, sejam antigos ou modernos, federam os povos.
Addis-Abeba, a capital, desempenha um papel simbólico importante. Ela abriga a sede da União Africana, confirmando a liderança continental desta nação.
Esses sinais visíveis forjam uma identidade coletiva forte. Eles lembram uma história gloriosa e uma soberania sempre defendida.
Folclore, mitos e festas tradicionais
O ritmo da vida na Etiópia é marcado por um calendário único e festas com raízes profundas. Essas celebrações misturam relatos antigos e momentos históricos para criar um patrimônio vivo.
Rituais e cerimônias festivas
O Enkutatash, o Ano Novo, marca o fim das chuvas e o renascimento. A festa de Meskel, no final de setembro, comemora a descoberta da cruz no século IV por meio de enormes fogueiras.
O Natal ortodoxo, Gänna, vê procissões noturnas e um jogo de cross tradicional. Timkat, a Epifania, é espetacular com seus batismos coletivos.
As datas nacionais também honram a vitória de Adoua em 1896. Esta tradição de resistência é um pilar do orgulho nacional.
Particularidades do calendário etíope
Este sistema conta treze meses, sendo o último muito curto e festivo. Ele segue o antigo calendário copta, criando um desfasamento de sete anos em relação ao calendário gregoriano.
O horário local também é único. Começa a contar a partir das 6 horas da manhã, seguindo o ritmo natural do sol.
Esta concepção do tempo influencia todas as celebrações. Ela une as comunidades em um ciclo anual rico e compartilhado.
A família e os valores sociais
A unidade familiar forma o alicerce da sociedade etíope, estruturando as relações e as responsabilidades de cada um. Esta organização repousa tradicionalmente sobre uma estrutura extensa.
Várias gerações vivem frequentemente sob o mesmo teto ou nas proximidades. Os mais velhos detêm uma autoridade natural e são profundamente respeitados.
O sistema de nomeação reflete essa importância da linhagem. Uma pessoa leva seu primeiro nome, seguido do nome de seu pai e depois do avô paterno.
As mulheres ocupam posições variadas conforme as regiões e os grupos étnicos. Seu papel econômico na agricultura e no comércio é crucial.
Os avanços em educação e participação política são notáveis nas áreas urbanas. As práticas matrimoniais evoluem, mas conservam traços tradicionais.
A nascimento de uma criança, especialmente um menino em ambientes rurais, dá origem a grandes celebrações. Rituais de proteção envolvem toda a comunidade.
| Aspecto da família | Característica tradicional | Evolução contemporânea |
|---|---|---|
| Estrutura | Família extensa patriarcal | Núcleos mais restritos nas cidades |
| Tomada de decisão | Autoridade dos mais velhos | Consulta mais ampla |
| Papel das mulheres | Centrado no lar e na agricultura | Acesso aumentado à educação e profissões |
| Celebrações | Rituais comunitários para casamentos e nascimentos | Manutenção dos ritos, formas adaptadas |
A solidariedade intergeracional permanece uma rede de segurança essencial. A urbanização e a escolarização modificam gradualmente essas dinâmicas.
Cozinha etíope e tradições culinárias
Uma viagem gustativa na Etiópia começa invariavelmente com uma massa esponjosa e ácida que é muito mais do que um simples pão.
Os pratos típicos e sua história
O injera, feito de farinha de teff fermentada, constitui a base de cada refeição. Serve como prato, utensílio e alimento principal.
Colocam-se sobre ela wat, ensopados apimentados com berbéré. Esta mistura de especiarias oferece uma paleta de sabores, do doce ao muito picante.
Os numerosos dias de jejum ortodoxo favoreceram uma cozinha vegetariana refinada. O shiro (purê de grão-de-bico) e o gomen (espinafre) são estrelas.
Comer juntos de uma mesma injera central reforça os laços sociais. Esta prática de compartilhamento é uma tradição culinária fundamental.
Restrições alimentares rigorosas, herdadas de preceitos religiosos, moldam os cardápios. A carne de porco, frutos do mar, coelho e pato estão ausentes das mesas.
Este país é o berço do café arábica. A cerimônia do café, ritual de hospitalidade que pode durar horas, honra o convidado.
Servem também o t’edj (hidromel) e a tella (cerveja local). A colheita do café, após as chuvas em novembro, é um momento chave.
A artesanato e as artes decorativas
Além das palavras e dos rituais, a alma de um povo também se lê nos objetos que cria e utiliza. A expressão artística aqui assume formas tanto utilitárias quanto profundamente simbólicas.

Textéis, cerâmica e ofícios tradicionais
Os têxteis como o shemma ou o netela são tecidos à mão. Suas bordas coloridas contam uma história de identidade e de saber-fazer.
O trabalho em madeira produz cabeceiras monoxilas, verdadeiras esculturas pessoais. O metal se transforma em cruzes processionais com padrões geométricos complexos.
A terra cozida dá vida à jebena, a cafeteira tradicional. Esses objetos do cotidiano são frequentemente pequenas obras de arte.
A iluminação de manuscritos religiosos é outra tradição importante. Ela combina influências bizantinas com um estilo local muito distinto.
Esses ofícios, transmitidos em famílias especializadas, preservam um legado precioso. Eles refletem a diversidade desta cultura de maneira tangível e bela.
Literatura e filosofia etíopes
Entre os tesouros menos conhecidos, a tradição literária e filosófica brilha com um brilho particular. Ela constitui uma das mais antigas tradições escritas da África subsaariana.
Seu história remonta a mais de quinze séculos com a adoção do alfabeto guèze. Os textos antigos incluem crônicas, hinos e lendas.
A obra épica Kebra Nagast (Glória dos Reis), redigida no XIVe século, narra a epopeia da rainha de Sabá. A literatura religiosa, com suas hagiografias, domina por muito tempo a produção.
No XVIIe século, o filósofo Zera Yacob redige o tratado Hatata. Seu pensamento racionalista é frequentemente comparado ao de Descartes.
Os autores contemporâneos dão uma voz moderna a este rico passado. Maaza Mengiste, por exemplo, explora os traumas da guerra em seus livros.
Esta literatura etíope, antiga e moderna, cria uma ponte entre o passado e o presente. Ela nutre uma identidade orgulhosa e complexa.
Música, dança e o ethio-jazz
O som da Etiópia é imediatamente reconhecível. Ele repousa sobre o sistema pentatônico qenet. Esta escala cria melodias únicas no mundo.
O ethio-jazz nasce nos anos 1960. Este gênero funde o jazz com tradições milenares. Ele representa uma arte musical totalmente original.
Mahmoud Ahmed é a lenda viva. Ele começa com a Imperial Bodyguard Band. Sua voz poderosa marcou esses anos de ouro.
As danças tradicionais formam uma arte corporal espetacular. O movimento de ombros eskista é sua assinatura. Ele varia conforme cada região do país.
Este legado conhece um renascimento emocionante. Uma nova geração de artistas integra influências eletrônicas. Ela continua a fascinar o mundo inteiro.
O esporte e os feitos olímpicos
Os altos planaltos etíopes produziram alguns dos maiores corredores de fundo da história.
O atletismo domina a cena esportiva há mais de sessenta anos. Ele transformou o país em uma verdadeira fábrica de campeões.
Abebe Bikila entrou para a lenda em 1960. Ele se tornou o primeiro atleta subsaariano medalhista de ouro olímpico.
Ele correu a maratona de Roma descalço. Este feito marcou o mundo inteiro.
Os anos 1990-2000 viram o surgimento de superestrelas. Haile Gebreselassie e Kenenisa Bekele quebraram muitos recordes.
Eles são múltiplos campeões olímpicos e mundiais. As atletas femininas também brilharam durante anos.
Tirunesh Dibaba e Meseret Defar dominaram as corridas de fundo. Seu sucesso inspira gerações.
A altitude de Addis-Abeba, a 2400 metros, oferece uma vantagem natural. Ela desenvolve as capacidades aeróbicas dos corredores.
Uma cultura de esforço e uma determinação coletiva explicam esse sucesso. A tabela a seguir compara os esportes populares.
| Esporte | Popularidade | Resultados internacionais | Característica |
|---|---|---|---|
| Atletismo (corrida de fundo) | Muito alta | Excepcionais (múltiplas medalhas olímpicas) | Vantagem geográfica dos altos planaltos |
| Futebol | Alta | Moderados | Paixão nacional, mas sucesso limitado |
| Esportes tradicionais (Genna, Donga) | Local / cultural | Não competitivos internacionalmente | Praticados durante festas, ligação com as tradições |
Além do atletismo, jogos ancestrais persistem. O Genna é uma variante de hóquei jogada no Natal.
O Donga é uma luta tradicional com bastões. Essas atividades perpetuam um legado único.
O futebol é muito apreciado pela população. Seus resultados ainda não rivalizam com os da corrida de fundo.
Esses feitos repetidos fazem a orgulho do continente africano. Eles motivam jovens atletas em todo o mundo.
Educação, mídias e modernidade na Etiópia
No cruzamento do ensino e da informação, a Etiópia constrói seu futuro com desafios únicos. O país transformou radicalmente seu sistema educacional em um século.
Até 1900, a Igreja ortodoxa dominava a instrução. Um sistema laico foi então adotado.
As instituições educacionais e universitárias
O governo atual dedica um orçamento significativo ao desenvolvimento da educação. Uma política de regionalização permite o ensino nas línguas locais.
O currículo padrão dura doze anos. Inclui seis anos de ensino fundamental, quatro de ensino médio e dois de ensino médio superior.
O acesso continua desigual entre as áreas rurais e as grandes cidades. A capital Addis-Abeba concentra as melhores infraestruturas.
As universidades desempenham um papel crucial. Elas formam as elites e participam do desenvolvimento científico do país.
| Universidade | Ano de fundação | Cidade | Especialidades notáveis |
|---|---|---|---|
| Addis-Abeba | 1950 | Addis-Abeba | Ciências, Medicina, Direito |
| Baher Dar | 1999 | Baher Dar | Engenharia, Pedagogia |
| Jimma | 1999 | Jimma | Saúde pública, Agricultura |
| Mekele | 1993 | Mekele | Tecnologia, Ciências sociais |
O governo também controla de perto os meios de comunicação. A lei antiterrorista de 2009 é frequentemente utilizada contra a imprensa.
A classificação de Repórteres Sem Fronteiras é baixa. A imprensa escrita tem dificuldades para se disseminar fora das grandes cidades.
A organização midiática é dominada por órgãos estatais. No entanto, canais privados estão surgindo.
Essa situação ilustra as tensões entre as aspirações à modernidade e a vontade de controle do governo.
Desafios contemporâneos e desenvolvimento social
O caminho para o progresso na Etiópia é hoje repleto de obstáculos complexos que testam sua coesão social. Apesar de um crescimento econômico notável nos últimos anos, as desigualdades entre regiões persistem.
A população, que ultrapassa 130 milhões de habitantes, cresce rapidamente. Essa dinâmica exerce uma enorme pressão sobre os recursos e as infraestruturas do país.

O governo de Abiy Ahmed, que chegou ao poder em 2018, inicialmente encarnou a esperança. Suas reformas e a paz com a Eritreia lhe renderam o prêmio Nobel em 2019.
Essa esperança foi ofuscada por uma guerra civil devastadora em Tigré, desencadeada em novembro de 2020. O conflito provocou uma catástrofe humanitária e questionou a estabilidade do país.
As tensões étnicas constituem um desafio estrutural para esta nação multiétnica. Episódios de violência intercomunitária marcaram várias regiões nos últimos anos.
A corrupção e violações dos direitos humanos, segundo relatórios internacionais, freiam o desenvolvimento. Deslocamentos forçados de população afetam milhões de pessoas.
A segurança alimentar permanece precária em algumas áreas. As fomes recorrentes, agravadas pelos conflitos e pelo clima, lembram a crise de 2011.
O governo deve conciliar as aspirações democráticas de sua juventude com estruturas políticas tradicionais. Os eventos de novembro de 2020 mostraram a fragilidade da unidade nacional.
Apesar desses desafios imensos, o país possui um forte potencial. Sua população jovem e sua posição estratégica são ativos importantes para o futuro.
Conclusão
Da descoberta de Lucy aos picos olímpicos, a Etiópia continua a marcar a história mundial por suas contribuições. Este país é considerado um berço da humanidade, onde nossas origens mais antigas foram reveladas.
Ele preservou sua soberania durante a partilha da África no século XIX. Suas cores até inspiraram o movimento panafricano.
Na cena internacional, seu papel vai além de seu tamanho. Addis-Abeba abriga a sede da União Africana e da Comissão Econômica para a África.
A cultura etíope representa um patrimônio excepcional desenvolvido ao longo de vários milênios. É um tesouro para toda a humanidade.
De um lado, o legado milenar oferece fundações sólidas. Por outro lado, as transformações modernas abrem novas perspectivas.
O futuro deste país dependerá de sua capacidade de valorizar este patrimônio único. Ele deve construir uma sociedade inclusiva sobre esta terra fascinante.
Explorar esta cultura é embarcar em uma viagem da aurora da humanidade às questões do século XXI. Uma viagem que continua a cativar o mundo inteiro.
FAQ
Quais são as grandes períodos que moldaram a história do país?
A história é marcada por impérios fundadores como o de Aksum, conhecido por seus obeliscos. Vêm em seguida as dinastias Zagwé e Salomônicas, cujo reinado consolidou o Estado e a religião cristã. O século XX viu mudanças de governo, uma guerra civil e a formação da União atual.
Quantas línguas são faladas e qual é a oficial?
Contabilizam-se mais de 90 línguas! O amárico é a língua de trabalho do governo federal. O guèze, antiga língua litúrgica, é crucial para a literatura e a religião. O oromo, o tigrigna e o somali também são amplamente utilizados pelos diferentes povos.
Qual é o papel da religião ortodoxa na sociedade?
A Igreja ortodoxa etíope, muito influente, estrutura o calendário com suas numerosas festas. Seus rituais, símbolos como a cruz e suas igrejas rupestres estão no coração da arte e da vida social. Outras confissões, como o islamismo e o catolicismo, coexistem e enriquecem a espiritualidade do mundo etíope.
A cozinha local é apenas à base de injera?
A injera, esta massa fermentada, é o elemento central da refeição, servindo tanto como prato quanto como utensílio. Mas a gastronomia é muito diversa! Ela propõe pratos emblemáticos como o wat (ensopado apimentado), o kitfo e o café, celebrado durante cerimônias sociais que reforçam os laços familiares.
Existe uma literatura antiga e moderna?
Absolutamente! A tradição escrita remonta a séculos com textos religiosos e reais em guèze. A literatura contemporânea, em amárico e outras línguas, explora temas sociais e políticos. Autores como Haddis Alemayehu desempenharam um papel importante em seu desenvolvimento.
O que torna a música tão distintiva, como o ethio-jazz?
A música tradicional utiliza instrumentos únicos como o krar e o masenqo. Nos anos 60-70, artistas como Mulatu Astatke criaram o ethio-jazz, um estilo inovador que funde essas sonoridades com o jazz e o funk. Esta cena musical permanece muito viva hoje.
Como as artes e o artesanato tradicionais se perpetuam?
O artesanato é uma parte essencial do patrimônio. Inclui o tecido de têxteis coloridos, a cerâmica, o trabalho em prata para joias e a fabricação de cruzes. Esses ofícios, muitas vezes familiares, transmitem saberes ancestrais e padrões simbólicos ligados à religião e à história.
Quais são os principais desafios sociais atuais?
O país trabalha para um desenvolvimento equitativo, melhorando o acesso à educação e aos cuidados para toda sua população. Questões relacionadas à organização federal, aos direitos das mulheres e à gestão dos recursos estão no centro dos debates para construir um futuro estável e próspero.
